Advogado afirmou que o sequestrador realizou compras com seu cartão enquanto ele era mantido como refém. No entanto, a Polícia Civil desvendou a farsa ao analisar imagens de câmeras de segurança do shopping center, que mostravam o advogado realizando as compras tranquilamente.
Rodrigo será indiciado por estelionato e falsa comunicação de crime."Ele ficou três horas fazendo compras no Barra Shopping e depois veio à delegacia pra registrar, afirmando que teria sido vítima de um sequestro relâmpago", afirmou o delegado Angelo Lages.
Caso registrado como sequestro
Rodrigo se dirigiu à 16ª DP (Barra da Tijuca) em 19 de maio e contou à polícia que estava dirigindo na Avenida das Américas quando foi abordado por dois homens armados que estavam em uma moto. Ele teria sido coagido a entrar no estacionamento do Barra Shopping, na Zona Oeste do Rio.
Segundo Rodrigo, um dos homens teria passado cinco horas no shopping após ter pedido a senha do seu cartão - e ele ter dado -, e que o cartão de crédito foi usado até ser bloqueado. O outro homem teria permanecido, junto com ele, no carro.
Ele afirmou ter sido ameaçado e que seu celular, roupas, a aliança que usava e a carteira com cartão de crédito foram roubados.
Polícia diz que constatou contradição
A polícia teve acesso às câmeras de segurança do shopping no dia da ocorrência e concluiu que Rodrigo chegou por volta das 13h30 da tarde. De acordo com polícia, ele apareceu caminhando sozinho nos corredores do local, com o celular na mão, e fez 11 compras no cartão de crédito em diferentes lojas: um supermercado, loja de acessórios pra motos, uma ótica, loja de calçados e em uma loja de grife.
As câmeras também registraram Rodrigo indo ao estacionamento duas vezes para guardar as compras e partir do local."Tendo em vista a gravidade dos fatos narrados por ele, a gente imediatamente fez a diligência de captar as imagens, a gente estava atrás desses criminosos. Quem eram esses dois criminosos que havia feito isso com essa vítima? Pra nossa surpresa, a gente se deparou com imagens totalmente contraditórias", afirmou o delegado Angelo Lages.
Além do registro por sequestro, ele tentou cancelar todas as compras com a administradora do cartão, alegando que tinha sido roubado. A empresa negou o pedido porque a senha do cartão foi usada em todas as vezes.

Busca e apreensão
Na manhã desta sexta-feira (30), a polícia realizou uma busca e apreensão na casa do advogado e encontrou todos os produtos passados no cartão, entre eles um par de tênis, duas sungas e uma cueca.

Rodrigo confessou que fez as compras e que estava passando por dificuldades financeiras.
A polícia investiga ainda outros registros de Rodrigo em diferentes delegacias, no qual ele acusou ter sido vítima de extorsão e ter perdido R$ 8 mil.
Fonte: G1 Rio de Janeiro
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