Ex-ministro de Lula e Dilma presta desde
segunda-feira depoimentos a investigadores
O ex-ministro da Fazenda e
da Casa Civil dos governos do PT Antonio Palocci assinou nesta quarta-feira, 9,
seu terceiro acordo de colaboração premiada, desta vez com o Ministério Público
Federal, no âmbito da Operação Greenfield, que mira desvios nos maiores fundos
de pensão do País. Palocci presta desde segunda-feira, 7, depoimentos aos
investigadores na Procuradoria da República no Distrito Federal, em Brasília.
Na terça, 8, o Estado
mostrou que em seu acordo Palocci vai abordar a atuação do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) para que a Funcef e a Petros entrassem como
acionistas da Norte Energia, proprietária da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Os dois fundos, dos funcionários da Caixa e da Petrobras, respectivamente,
possuem 10% cada de participação na usina.
O ex-ministro já assinou
um acordo de colaboração com a Polícia Federal de Curitiba no qual abordou
crimes cometidos no âmbito da Petrobras. Um segundo, fechado no final do ano
passado com a PF de Brasília e que tramita em sigilo, envolve acusações contra
alvos com direito a foro privilegiado, como políticos com mandato.
Agora, o ex-ministro
assina um novo acordo com os investigadores de Brasília para falar sobre sua
atuação nos fundos de pensão. O acordo, no entanto, ainda precisa ser
homologado pela 10.ª Vara de Brasília. Palocci está na capital federal com seus
advogados desde a manhã desta segunda, vindo de São Paulo. O trajeto foi feito
de carro para evitar exposição nos aeroportos das duas cidades.
Em um primeiro depoimento
aos procuradores da operação Greenfield, ainda em 2018 e sem ter assinado um
acordo, Palocci já havia dito que o ex-presidente interferia em investimentos
dos fundos de pensão desde a década de 90 e que teria recebido propina por
causa de sua atuação relacionada à construção de Belo Monte.
"Que em outros casos
de atuação direta do ex-presidente Lula, como dos caças, com atuação do
presidente francês, receberam vantagens Lula e o PT, ou no caso de Belo
Monte", disse Palocci
Deflagrada em 5 de
setembro de 2016, a Greenfield já havia mapeado em sua primeira fase possíveis
irregularidades no investimento em Belo Monte. À época, no pedido de prisão do
ex-presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, os investigadores citam um possível
desdobramento da apuração cujo alvo seria a obra de Belo Monte.
Segundo Palocci, Lacerda
"tinha uma atuação mais ampla em receber ilícitos" e "que não
resistia quase nada" sobre pedidos de políticos do PT para que
investimentos dos fundos resultassem em repasses para o partido e campanhas
política.

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