Quando chegou a Brasília, Pazuello dizia que sua missão no ministério era "temporária" — apenas organizar a transição entre Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.
"Imagina: no meio da guerra, com o carro rodando, necessita fazer a troca do ministro e ele entra sozinho, tendo de encontrar um monte de gente para trabalhar (...). Ao final de um período, o ministro estará com todos os nomes que ele escolheu e eu estarei saindo, voltando para a minha tropa", disse Pazuello em entrevista ao site da revista Veja, em 21 de abril.
Na mesma entrevista, Pazuello admitiu que não tinha qualquer afinidade com a área médica — disse que seu conhecimento sobre o assunto é de "leigo". Pazuello defendeu, porém, que o país tivesse mais cuidado com os dados utilizados no combate à pandemia.
"O meu grau de conhecimento específico, técnico, de médico, é leigo. A gente observa que dados precisam ser melhorados, a gente precisa ter números mais fidedignos, com menos risco de manipulação, para que se definam as estratégias em cima de dados reais. Se você não tiver certeza absoluta dos dados, tudo o que você planejar não tem resultado", disse ele.
Desde que chegou ao ministério, Pazuello passou a ser tratado como uma espécie de "eminência parda" — mesmo sendo o número 2 na hierarquia, era percebido por muitos como tendo mais poder do que o ex-ministro Nelson Teich. Ele, porém, negava que fosse este o caso.
Dentro da pasta, vinha cuidando de organizar as compras de equipamentos e insumos feitas pelo Ministério da Saúde. Era, por isso, procurado com frequência por prefeitos e governadores.
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