Bolsonaro
anunciou a criação do Conselho da Amazônia no mesmo dia em que começava o Fórum
Econômico Mundial em Davos
Ao explicar como e com que
objetivo vai trabalhar o recém-anunciado Conselho da Amazônia, o
vice-presidente Hamilton Mourão, encarregado de comandá-lo, declarou que faltam
hoje ao governo "comando e controle" e "coordenação" das
políticas voltadas para a região e reconheceu que ainda está "analisando a
missão" dada a ele pelo presidente Jair Bolsonaro.
"Existe uma série de políticas desenvolvidas por diferentes
ministérios que estão ligadas ao meio ambiente e à Amazônia. É uma tema
transversal. Ele não pertence só ao Ministério do Meio Ambiente, não pertence
só ao Ministério de Infraestrutura, não pertence só ao Ministério de
Desenvolvimento Regional", explicou o vice-presidente em entrevista à
GloboNews. "A gente nota nitidamente que tem de ter um organismo que
controle isso e coordene as atividades."
Bolsonaro anunciou a criação do Conselho da Amazônia na
terça-feira, 21, mesmo dia em que começava o Fórum Econômico Mundial em Davos,
na Suíça. A emergência climática e a preservação ambiental estão entre os temas
de mais destaque na edição deste ano do evento.
No dia seguinte, o maior auditório do Fórum recebeu uma sessão
especial sobre como garantir um futuro sustentável à Amazônia, em que o diretor
de pesquisa da Academia Brasileira de Ciências, Carlos Nobre, defendeu que
conservar a região é muito mais lucrativo do que substituir a floresta por
monocultura ou pecuária.
"Não tem a mínima dúvida que o meio
ambiente é o tema central no século 21, principalmente nesta terceira
década", disse Mourão na entrevista. Ele reconheceu que não se pode fugir
da realidade em que grandes fundos de investimento mundo afora estão
"colocando selo verde", ou seja, exigindo padrões de boas práticas
ambientais de países e empresas em cujos ativos eles investem. "Se é
preocupação desses fundos com a vida na Terra ou um instrumento de pressão
sobre nações em desenvolvimento, não interessa. Temos de nos adaptar e dar
respostas corretas ao que está ocorrendo no mundo."
Questionado sobre a imagem ruim que a política ambiental do Brasil
tem atualmente no exterior, o vice-presidente afirmou que existe uma pressão
internacional sobre o País pelo fato de Bolsonaro ser "encarado por
parcelas da inteligência mundial ou formadores de opinião" como alguém que
não está não comprometido com a preservação ambiental. "(Mas) o presidente
não deu ordem para tacar fogo na floresta nem fazer genocídio dos povos da
floresta."
Mourão admitiu, contudo, que é parte do seu trabalho à frente do
Conselho da Amazônia adotar ações que passem para fora a imagem de um País
comprometido com a preservação do seu território em termos ambientais.
Sobre se vai tentar recuperar os repasses da Noruega e da Alemanha
- o primeiro país suspendeu transferências para o Fundo Amazônia, enquanto o
último congelou o financiamento pelo seu Ministério do Meio Ambiente de
projetos de combate ao desmatamento no Brasil -, Mourão garantiu que vai
"buscar recursos fora, sim, desde que seja possível e necessário" e
afirmou não ter "vergonha" de pedir a Oslo e Berlim a volta dos
repasses.
Outro tema abordado foi uma eventual candidatura à reeleição de
Bolsonaro. Mourão disse que comporia novamente uma chapa como vice se o
presidente quiser que ele continue. "Quando ele precisar de um
aconselhamento leal e sincero, ele vai ter." Respondeu, também, achar que
Bolsonaro deveria, sim, concorrer a um segundo mandato. Mas emendou: "eu,
particularmente, sou contrário à reeleição. Acho que a reeleição não fez bem ao
Brasil. Acho que deveríamos ter mandato de cinco anos, sem direito à reeleição,
mas a regra do jogo que está em vigor é essa."
A respeito do leilão do 5G, o vice-presidente descartou qualquer
interferência dos Estados Unidos sobre a possibilidade de a chinesa Huawei
disputar o certame. "Quem vencer leilão vai vencer." Ele disse ter
conversado com o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações,
Marcos Pontes, sobre o assunto e afirmou achar que o leilão vai ocorrer até o
fim deste ano ou em 2021.
Quando o assunto se voltou para o discurso de inspiração nazista
feito pelo ex-secretário de Cultura Roberto Alvim, Mourão considerou o episódio
como algo resolvido, após a demissão de Alvim. Confrontado com o fato de que
Bolsonaro elogiou o trabalho do então secretário dias antes de exonerá-lo, o
vice-presidente respondeu: "até ele resolver ser o clone do (Joseph)
Goebbels", referindo-se ao ministro de Propaganda de Hitler.
Fonte: O Liberal

Comentários