Defesa que tentativa de ressuscitar caso é algo tardio, já que processo
transitou em julgado
Na semana passada
Bolsonaro designou o advogado Frederik Wassef, que também defende o senador
Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no caso das movimentações financeiras atípicas de seu
ex-assessor Fabrício Queiroz, para ser assistente de acusação no caso.
Em entrevista ao jornal O
Estado de S. Paulo o procurador-geral da República, Augusto Aras, disse que
pretende buscar a "verdade real" sobre a facada e que "não
parece crível" a conclusão da Polícia Federal de que Adélio agiu durante
um surto.
"Pena que ele (Wassef)
chegou tarde. Já transitou em julgado. O julgamento do Adélio acabou. Aquilo
ali nunca mais. Talvez na próxima encarnação", disse Zanone.
Segundo o advogado, existe
interesse político do presidente em manter o caso Adélio em evidência. "A
participação do novo advogado é absolutamente legítima. A gente já percebeu que
é politicamente conveniente que este assunto não morra", afirmou.
Para Wassef, Adélio é um
"assassino profissional" que foi contratado para matar o então
candidato a presidente. Nem ele nem Aras apresentaram indícios que justifiquem
discordar das conclusões da Polícia Federal.
Em entrevista ao Estado,
Wassef politizou o caso ao cobrar o mesmo destaque dado ao assassinato da
vereadora Marielle Franco (PSOL), morta a tiros em 2018 no Rio de Janeiro.
Em 2018, a PF concluiu que
o autor da facada agiu sozinho. Segundo a Justiça Federal em Juiz de fora (MG),
Adélio é inimputável por sofrer de distúrbios mentais. Bolsonaro e o Ministério
Público Federal optaram por não recorrer da decisão. Dentro de três anos o
autor da facada será submetido a nova perícia. Segundo o advogado, se for
constatado que ele está são, Adélio pode ser libertado.
TRF-1
Nesta quarta-feira, 2, o
Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) formou maioria a favor do
entendimento de que é competência do Supremo Tribunal Federal (STF) analisar a
legalidade da operação contra o advogado Zanone Júnior, defensor de Adélio
Bispo.
Zanone foi alvo de uma
busca e apreensão da Polícia Federal, mas o material apreendido na operação não
foi analisado por força de uma decisão liminar.
A Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB) argumenta que a apreensão fere a prerrogativa profissional que
garante sigilo entre advogado e cliente.
O caso levou Bolsonaro a
fazer ataques contra o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, alvo de
insinuações do presidente sobre a morte de seu pai, Fernando Santa Cruz,
desaparecido durante a ditadura militar depois de ser preso por agentes do
DOI-CODI no Rio de Janeiro, em 1972.
Zanone acredita que seu
celular já foi periciado - até porque a liminar em favor da OAB saiu semanas
depois da apreensão do aparelho - e que ele próprio e sua família são alvo de
investigações dos órgãos de segurança do governo. "Eles estão tentando ver
se tem um mandante e é legítimo. Mas você acha que a PF, a Abin (Agência
Brasileira de Inteligência), a inteligência do Exército não estão todo mundo me
monitorando desde o primeiro dia, monitorando meus parentes, meu sigilo fiscal,
meu sigilo sexual, tudo, até o útero da minha mãe?", disse o advogado.
Zanone disse que foi
contratado por uma pessoa que ele não quer identificar para fazer a defesa de
Adélio. Pessoas próximas desconfiam que o advogado, na verdade, decidiu entrar
no caso por conta própria para aproveitar a visibilidade que o julgamento poderia
lhe dar.
Segundo ele, o suposto
contratante não entrou mais em contato. "Não tive mais acesso à pessoa que
me contratou", afirmou.


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