Recentemente o presidente
Jair Bolsonaro decretou a possibilidade de porte de arma para algumas
categorias profissionais. Os jornalistas constam na lista, e nossa reportagem
ouviu a opinião de parte dos profissionais santarenos, que no dia a dia cumprem
a missão de deixar bem informada a população, sobre as ocorrências policiais.
Atuando há quase 40 anos
na cobertura policial, o repórter Wiliares Souza, o popular Coruja, diz que a
sua arma sempre foi e sempre será Deus:
“A minha preocupação não é
somente com os repórteres policiais que irão andar armados, a minha preocupação
é com toda população, porque você já pensou uma pessoa andar armada com
revólver na cintura, se a gente já verifica que o nego mesmo andando desarmado
já há muitos e muitos crimes na cidade, já pensou uma pessoa armada em um bar,
em uma boate, os similares, o cara se desequilibra pega uma arma e sai fazendo
besteira. A minha opinião como repórter policial, é que os profissionais
jornalista podem andar armados sim, isso é importante para todos nós repórteres
policiais. Mas a minha arma é Deus. Porém eu também não discuto a decisão. A
minha opinião formada é essa, agora eu fico preocupado com o povo brasileiro
armado por aí. A criminalidade aumentou assustadoramente sem o nego andar
armado, já pensou agora nego andar armado, eu acho que o Presidente Jair
Bolsonaro foi infeliz em autorizar arma na mão de todo mundo”, declarou Sousa.
Para o jornalista Valdir
Ribeiro, que também é Bacharel em Direito, o trabalho responsável do
profissional da imprensa, é base para uma tomada de decisão.
“Quem quiser usar arma,
que trabalha na reportagem policial, que use, acho que cada sujeito, cada
indivíduo, cada profissional, tem o livre arbítrio em escolher após a medida do
presidente Jair Bolsonaro. Agora no meu lado, eu por exemplo, não vou andar armado
e nem vou me preocupar com ameaça. Não vou me preocupar com as situações dessa
natureza contra minha pessoa, porque primeiro a gente procura fazer um trabalho
responsável, como é esse trabalho responsável? Respeitando as pessoas,
respeitando o direito das pessoas. Sempre a reportagem precisa ter os dois
lados. Se tem a denúncia, tem de ouvir o lado da defesa, para que todos possam
realmente ter a participação, ter a sua parte de uma forma assim bem clara na
reportagem. Então na minha opinião, quem quiser andar armado ande, mas eu não
vou andar, porque quando você trabalha de forma responsável, você tem o
respeito das pessoas”, enfatizou Valdir Ribeiro.
Diolando de Sousa, que
atua no radiojornalismo, diz que a utilização de arma de fogo tem dois vieses, um
da segurança e outro da tragédia, e que não está disposto a andar armado.
“Se eu sirvo um Deus
verdadeiro, se esse Deus é dono da minha vida, não tem porque eu usar uma arma
de fogo, se eu acordo de manhã peço para ele a proteção. Então Deus é o meu guia,
ele é a minha fortaleza. A arma pode evitar uma situação de insegurança, como
também ela pode trazer uma tragédia para você. Na minha opinião, eu acho que eu
não usaria arma, nem que eu tenha esse decreto a meu favor como repórter
policial, no entanto, não sou contra, pois a gente está todos os dias ali
entrevistando homicidas, traficantes, pistoleiros, integrantes de facções
criminosas. No entanto, mesmo assim, a minha opinião, como repórter policial,
não usaria arma, porque a minha arma é Deus”, explicou o radialista.
Outro que expressou sua
opinião ao O Impacto, foi repórter Marcelo Silva, que concorda com o decreto
assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, com exceção, de algumas categorias de
profissionais:
“Em relação aos
jornalistas, eu concordo totalmente que os profissionais que realizam a
cobertura policial andem armados, justamente porque lidamos com uma área muito
perigosa. Então, realmente para nós jornalistas que cobrimos a área policial
sou favorável sim. Agora outros segmentos a qual foi aberto, como por exemplo,
o pessoal do trânsito, ou outras categorias aí eu sou totalmente contra, em
relação,ao porte de arma. Já sobre a posse de arma, sou a favor que a pessoas
tenham em casa, para se resguardarem, pois realmente a criminalidade chega na casa
de cada pessoa. Agora o porte de arma eu achei infeliz a liberação para certo
ou determinado segmento. No meu caso como repórter que trabalha também com
ocorrências policiais, não vou comprar arma, não quero arma de fogo, eu me
conheço, sei que não é bom para mim ter uma arma de fogo, como é para um
policial, por exemplo. A arma que eu ando no meu carro é a Bíblia
Sagrada. Eu confio em nosso senhor Jesus Cristo, e somente nele, só Jesus
Cristo e pronto, acabou. A arma de fogo para mim não, mas eu apoio sim, para
outros colegas que cobrem área policial possam andar armados”, afirma Silva.
Com opinião contundente, o
repórter Bena Santana afirma que esse não é o caminho a ser seguido, pois expõe
os profissionais ao perigo iminente.
“Eu sou contra. Sinceramente
com relação ao decreto, acredito que houve uma precipitação. Deveria haver uma
discussão com o próprio Congresso Nacional, com o Supremo, Ministério
Público. É claro que o presidente tem autonomia para assinar o decreto, mas
deveria ter conversado antes. Tem coisas que eu achei em excesso e que pode
causar, como já estão causando problemas. Eu falei com um delegado da Polícia
Civil aqui de Santarém no final da semana que passou. Perguntei a ele o que ele
achava, porque li em diversos jornais que tem o risco até para o próprio
repórter, e questionei como ele interpretava. Como resposta ele disse; ‘-porque
o bandido, o assaltante, vai te olhar agora achando que você está armado
também. Então eu não uso, não tenho nenhuma intenção. Não vou usar, e acredito
que esta questão precisa ser reavaliada. Penso que o Congresso está certo
quando chamou atenção, e que vai averiguar, pois tem pontos ali que estão em
excesso. Agora, é claro que você tem de se defender, mas eu acho que não é por
aí. Na minha opinião, estão pegando muita corda dos Estados Unidos. Lá é
frequente invasões às escolas e mortes, lamentavelmente resultado desses
atentados. Então, acho que, nós no Brasil somos nós, a gente tem de trabalhar
com mais calma. Essa é a minha opinião”, opinou Bena Santana.
FENAJ DIZ NÃO AO ARMAMENTO
DE PROFISSIONAIS: Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ),
entidade de representação nacional da categoria, que congrega os Sindicatos de
Jornalistas do país, vem a público reafirmar sua posição de defesa do Estatuto
do Desarmamento (Lei 10.826, de 22/12/2003), aprovado após amplo debate
nacional. A FENAJ considera inadequada sua alteração por decreto, sem o devido
e necessário debate democrático. O Poder Executivo não pode agir
autocraticamente, usurpando competência do Poder Legislativo de aprovar e
alterar leis.
Ao modificar o Estatuto do
Desarmamento para facilitar o transporte de armas para determinadas categorias
profissionais, que não mais precisarão comprovar a necessidade de portá-las, o
governo Bolsonaro promove o armamento da população que, comprovadamente, não
contribui para a diminuição da violência. Ao contrário, a posse de armas de
fogo pela população é determinante para mortes acidentais e contribui
significativamente para o aumento da violência social.
Quanto aos jornalistas que
fazem cobertura policial, a FENAJ entende que a posse/transporte de armas não
vai contribuir para a segurança dos profissionais, que devem cuidar da produção
da notícia, sem exposições ou enfrentamentos que coloquem em risco sua
integridade física. O porte de arma pode, inclusive, transformar o jornalista
em alvo.
Cabe ao aparato de
segurança do Estado garantir a segurança dos jornalistas e demais profissionais
da comunicação no exercício profissional, ainda que em coberturas jornalísticas
nas quais os profissionais são expostos a riscos. Igualmente, cabe às empresas
jornalísticas adotarem medidas para mitigar os riscos a que são submetidos os
jornalistas nas coberturas policiais e em outras situações em que a segurança
dos profissionais esteja em xeque. A FENAJ tem defendido a ação, por parte das
empresas jornalísticas, de um Protocolo de Segurança para a atuação
profissional, que inclui a criação de comissões de segurança nas redações para
avaliação de cada situação específica, bem como o fornecimento de equipamentos
de proteção individual e treinamento para os jornalistas que cobrem conflitos
sociais.
A responsabilidade pela
segurança dos jornalistas e demais profissionais da comunicação não pode ser
transferida; é do Estado em corresponsabilidade com as empresas empregadoras.
Por: Edmundo Baía Junior
Fonte: RG 15/O Impacto

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