Cerca de 80% dos produtos hortigranjeiros vêm de
outros Estados pela BR-316, e não devem ter variação
Os valores de carne
bovina, frutas e produtos hortigranjeiros fecharam o mês de março mais caros,
em Belém, o que representou crescimento de 6,49% do preço da alimentação
básica. Devido à queda da ponte sobre o Rio Moju, na Alça Viária, ocorrida no
último sábado, 6, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), responsável pelo levantamento, afirma que os preços
deverão ficar ainda mais caros.
De acordo com a Secretaria
de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), a queda da ponte
afetará, principalmente, o preço da carne de boi, que é transportada das
regiões Sul e Sudeste do Estado para a capital paraense. "Sem dúvida, é
possível afirmar que o acidente terá um impacto no preço da carne. No caso dos hortigranjeiros,
a maioria, cerca de 80%, vem de outros Estados, pela BR-316, por isso não terá
grandes mudanças. Já sobre os pescados, a maior parte está mesmo aqui na região
nordeste, então também não devem sofrer efeitos significativos", assegura
o economista Nonato Ferreira, da área de planejamento da Sedap.
Ainda segundo Ferreira, o
governo do Estado acompanhará o setor produtivo nos próximos dias para saber,
com dados objetivos, quanto será o prejuízo para os agricultores e pecuaristas.
"É muito cedo ainda para dizermos o que acontecerá com os preços. Ainda
não temos dados seguros. Seguramente, estaremos acompanhando. O que podemos
dizer é que o governo fez o que era possível, imediatamente, que era a garantia
dos transportes dos produtos por balsas", relata.
O diretor-técnico da
Central de Abastecimento do Pará (Ceasa), Eduardo Sampaio, também afirma que o
comércio de hortigranjeiros não será atingido de forma grave pelo acidente.
"São poucos os legumes e verduras que vêm das regiões sul e sudeste, por isso
seremos pouco afetados nessa área, já que a Ceasa não trabalha com carne. A
maioria dos outros produtos vem de fora", destaca, concordando com o
representante da Sedap.
A Federação da Agricultura
e Pecuária do Pará (Faepa), ao contrário da Sedap, não trabalha, até o momento,
com a possibilidade de aumento de preço da carne bovina ou ainda de escassez do
alimento. Segundo Guilherme Minssen, zootecnista e diretor técnico da
Federação, qualquer aumento de preço, nos próximos dias, deve ser fruto de
especulação financeira. "Não existe razão para que haja aumentos. Pelo
menos, não até o momento. Os frigoríficos de Castanhal e Paragominas estão
devidamente abastecidos. Estamos tranquilos e seguindo as orientações do
Governo para que seja utilizado o transporte hidroviário", afirma.
O quilo da carne bovina de
primeira, que compreende os tipos coxão mole/chã, cabeça de lombo e paulista,
teve aumento de 3,79 %, entre dezembro de 2018 e março de 2019. Os preços
passaram de R$ 19,52, em média, no último ano, para R$ 20,26, no mês passado.

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