PF deflagra 4ª fase da Operação Descarte, que apura uso de empresas fantasmas em esquemas de lavagem de dinheiro
Investigadores cumprem 26
mandados de busca e apreensão em cidades de SP, Rio e Minas.
A Polícia Federal (PF) em
São Paulo deflagrou na manhã desta quinta-feira (11) a 4ª fase da Operação
Descarte, que investiga uma rede empresas fantasmas utilizadas em esquemas de
lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Os investigadores cumprem 26
mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Taubaté, Mogi das
Cruzes , Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Nova Lima (MG).
A Polícia Federal pediu a
prisão de suspeitos de envolvimento no esquema, mas a 2ª Vara Federal Criminal
de São Paulo negou.
Os alvos da nova operação,
intitulada "E o Vento Levou", são empresas, escritórios e as
residências de pessoas citadas durante a investigação. A PF tem indícios de que
o esquema movimentou cerca de R$ 40 milhões em propina num projeto de energia
elétrica que teve a participação de empresas privadas e de uma estatal.
De acordo com a PF, o
objetivo da operação é apurar o desvio de dinheiro da empresa Cemig Geração e
Transmissão por meio do aporte de R$ 850 milhões na empresa Renova Energia SA.,
com posterior repasse de parte deste recurso por meio do superfaturamento de um
contrato. Em seguida, o dinheiro foi convertido em espécie e distribuído a
diversas pessoas.
A investigação apura a
participação de executivos e acionistas da Andrade Gutierrez e da Cemig, além
dos operadores financeiros e outras empresas usadas para escoar o dinheiro
desviado.
Força-tarefa
A Operação Descarte é uma
força-tarefa composta por policiais federais, auditores fiscais da Receita
Federal e por um procurador da República do Ministério Público Federal em São
Paulo.
A investigação surgiu a
partir da delação premiada do doleiro Alberto Youssef, personagem central da
Operação Lava Jato.
A 1ª fase,
deflagrada em março do ano passado, mirava um esquema de fraudes e
lavagem de dinheiro comandado por uma concessionária que atua no serviço de
limpeza pública da cidade de São Paulo.
Documentos apreendidos na
ocasião levaram os investigadores a descobrir um novo esquema. O fundador de
uma das maiores operadoras de viagens do país confessou, em acordo de delação
premiada, que utilizou a
rede de empresas fantasmas para pagar propina a conselheiros do
Carf, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.

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