Uma audiência pública na
Câmara Municipal de São Félix do Xingu, sudeste do Pará, em que os
vereadores convocaram a prefeita Minervina Barros (PDT) para tratar da
precariedade dos serviços de saúde nas aldeias indígenas do município,
acabou em uma cena inusitada. A reunião ocorreu nesta segunda-feira, 21.
Uma indígena com um facão,
invadiu o plenário e fez uma veemente cobrança à prefeita, que ouviu
calada as críticas da kaiapó.
O plenário Carlos Roberto
Abreu Moreira, estava lotado pelos kaiapó. Os vereadores e a prefeita ouviam
atentos um indígena da liderança kaiapó, sentado na tribuna, quando a mulher
indígena invadiu e foi em direção à bancada onde a prefeita estava sentada.
Revoltada a indígena bate
o cabo do facão na mesa, enquanto faz cobranças a Minervina Barros e o outro
indígena traduz o que ela fala pra a prefeita.
Em 1989, quando ocorria
uma audiência em Altamira, debatendo sobre o projeto de construção da usina
de Belo Monte, à época denominada Kararaô, a indígena Tuíra também usou um
facão para alertar as autoridades de que a construção da hidrelétrica iria
alagar os territórios indígenas do Xingu.
Falando em sua língua, a
indígena passou a lâmina do facão no então presidente da Eletronorte, José
Muniz, e disse que Kararaô afogaria os filhos da terra. A imagem rodou o
mundo e se tornou uma das mais emblemáticas da luta dos povos indígenas contra
a construção de hidrelétricas em suas terras.


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