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Pará, Detran registrou 1.985 acidentes este ano por uso do aparelho
O uso de aparelhos
celulares é a terceira maior causa de acidentes de trânsito no Brasil, atrás
somente de embriaguez ao volante e excesso de velocidade, segundo estudo
recente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego. Ao todo, são cerca de
150 mortes por dia e quase 54 mil por ano. No Pará, a principal causa de
acidentes no trânsito é a falta de atenção, que pode ter como um dos fatores
determinantes o uso do celular.
De janeiro a abril deste
ano, 1.985 acidentes no Estado tiveram este motivo. Em 2017, foram 6.170 e em
2016 foram 5.979, segundo o Departamento de Trânsito do Estado do Pará
(Detran). Esses números colocam a falta de atenção em primeiro lugar no ranking
das quatro maiores motivações de acidentes de trânsito no Pará. Outros motivos
de acidentes do ranking também podem estar atrelados ao uso do celular, como
perda de controle (com 695 até abril de 2018, 2.473 em 2017 e 3.600 em 2016),
manobra irregular (com registro de 648 até abril de 2018, 2.007 em 2017 e 2.107
em 2016), e o motivo denominado como dados não informados (com 1.599 até abril
de 2018, 5.589 em 2017 e 5.128 em 2016).
De acordo com o
coordenador de planejamento do Detran, Valter Aragão, o uso de celulares não
aparece claramente como causador de acidente. “Posso dizer que o celular foi um
fator em boa parcela das situações de acidentes, já que o Brasil é um dos
países que fica mais tempo online nesse aparelho”, explicou. “Mas não temos
como afirmar que isso foi determinante para o acidente. Geralmente, as pessoas
não assumem que estavam usando o celular na hora da situação e relatam outras
motivações para a distração”.
Segundo uma pesquisa do
Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil), em média o condutor
fica quase três segundos sem olhar para a via quando usa o celular. Parece
pouco tempo, mas é suficiente para causar acidentes graves, pois os motoristas
não percebem a mudança repentina dos semáforos, freada mais brusca do carro à
frente ou até mesmo invadem a faixa ao lado. “Até menos de um segundo pode ser fatal.
O correto é ter atenção total”, orientou Aragão.
O Código de Trânsito
Brasileiro (CTB) prevê infração média com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na
carteira aos que falam no celular enquanto dirigem. Para aqueles que conduzem
apenas com uma das mãos para manusear o celular, o valor é maior, R$ 293,47,
contando como infração gravíssima, com sete pontos na carteira. “A fiscalização
do uso do celular no trânsito é obrigação da União, do Estado e do município”,
pontuou Valter. “O vídeomonitoramento, por exemplo, é uma tendência nacional.
Já existe no Brasil. No Pará, ainda estamos estudando. Também tem o bloqueio do
celular na hora em que se entra no carro, que está em discussão pelo mundo”.


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