Greve dos caminhoneiros: MPF atua de forma coordenada para apurar eventuais crimes e assegurar direitos do consumidor
O comitê instituído pela
Procuradoria-Geral da República para acompanhar a atuação do Ministério Público
Federal (MPF) em relação ao movimento dos caminhoneiros consolidou e enviou às
Procuradorias da República nos estados e no Distrito Federal informações que
podem subsidiar atuações locais na apuração de crimes federais.
Membros
do comitê se reuniram ainda com a Secretaria Nacional do Consumidor, do
Ministério da Justiça, e com a Agência Nacional de Petróleo para discutir
estratégias conjuntas de prevenção e fiscalização de práticas econômicas
abusivas. Após reunião de alinhamento com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a
Câmara Criminal (2CCR) enviou a 44 unidades do MPF despachos de autuação de
procedimentos investigatórios com informações sobre as multas aplicadas pela
PRF em razão da paralisação. São mais de 700 autos de infração desde o início
do movimento, com dados como local de ocorrência do fato, placa do veículo, CPF
e nome do proprietário, e enquadramento da infração no Código Brasileiro de
Trânsito.
As investigações do MPF
terão como foco a apuração de crimes federais previstos no Código Penal
Brasileiro, como paralisação de trabalho de interesse coletivo (art. 201);
prática de atos que expõem a perigo ou tentam impedir ou dificultar navegação
marítima, fluvial, aérea ou por qualquer outro meio de transporte público
(artigos 261 e 262); atentar contra a segurança ou funcionamento de serviços de
utilidade pública como água e luz (art. 265); ou desobedecer a ordem legal de
funcionário público (art 330). A Câmara Criminal também enviou às unidades a
lista dos 48 inquéritos já instaurados pela Polícia Federal.
Além disso, foram enviados
despachos a quatro unidades do MPF (Procuradorias da República em São Paulo,
Goiás, Rio Grande do Sul e no Município de Brusque-SC), com notícias de fato
sobre a possível prática dos crimes previstos no artigo 286 do Código Penal
(incitação ao crime) e nos artigos 17 e 23 da Lei de Segurança Nacional (Lei n.
7.170/83). O artigo 17 prevê pena de até 15 anos de reclusão para a tentativa
de mudança, com emprego da violência ou grave ameaça, da ordem, do regime
vigente ou do Estado de Direito. Já o artigo 23 trata da incitação à subversão
da ordem política e social ou da incitação à animosidade entre as Forças
Armadas ou entre estas e as classes sociais e instituições, com penas que podem
chegar a quatro anos de reclusão.
A apuração de crimes
contra a segurança nacional também está sendo conduzida pelo MPF no Espírito
Santo (saiba mais).
Ordem Econômica – Na
tutela do direito econômico e do consumidor, foram encaminhados ofícios para as
agências nacionais do Petróleo (ANP) e dos Transportes Terrestres (ANTT). O MPF
aguarda a resposta das agências, mas também atua junto ao Conselho Administrativo
de Defesa Econômica (Cade) para verificar a lista de empresas investigadas por
participação ilícita no movimento grevista.
Na tarde de ontem, membros
da Câmara de Consumidor e Ordem Econômica (3CCR) se reuniram com representantes
da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça (MJ),
para conhecer e acompanhar as medidas que vêm sendo adotadas pela pasta. Em
atuação preventiva e didática, a Senacon esclareceu que o MJ notificou
associações de supermercados para que orientem seus associados sobre sanções
que podem sofrer se verificada a cobrança de preços abusivos. No âmbito
fiscalizatório, servidores dos Procons estão em ações externas para coleta de
dados sobre preços cobrados, de forma que se possa comparar com o histórico anterior
e verificar se cabe a aplicação de multas por práticas abusivas.
Nesta quarta (30), a
Câmara se reuniu com representantes da Agência Nacional de Petróleo (ANP),
quando foi apresentado um panorama da situação atual do setor de combustíveis e
medidas em curso para minimizar os impactos da paralisação dos caminhoneiros. A
ANP se comprometeu a encaminhar ao MPF informações relevantes sobre a crise,
provenientes dos boletins diários produzidos pela Agência.
A greve dos petroleiros
também foi discutida na reunião. A ANP informou que está monitorando os
estoques disponíveis nos tanques das refinarias, a fim de minimizar eventuais
impactos no setor de abastecimento.
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