Eduardo Azeredo (PSDB) foi condenado a 20 anos de
prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro no mensalão tucano.
O ex-senador e
ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB)
se entregou às 14h45 desta quarta-feira (23) em uma delegacia de Belo
Horizonte. Ele é o primeiro político a ser detido no mensalão tucano.
Os cinco desembargadores
da 5ª Câmara Criminal rejeitaram, nesta terça-feira (22), o recurso da defesa
do ex-senador e ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) no
processo do mensalão tucano e determinaram
a execução imediatada da prisão.
Azeredo foi
condenado em segunda instância a 20 anos e um mês de prisão
pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, no mensalão tucano, em agosto
passado. A condenação em primeira
instância foi em 2015.
Eduardo Azeredo chegou à
1ª Delegacia de Polícia Civil Sul, no bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul
de Belo Horizonte, acompanhado de um dos filhos e de um dos advogados.
Mensalão tucano
De acordo com a denúncia,
o mensalão tucano teria desviado recursos para a campanha eleitoral de Azeredo,
que concorria à reeleição ao governo do estado, em 1998.
O esquema envolveria a
Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig), a Companhia de Saneamento de
Minas Gerais (Copasa) e o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) e teria desviado
ao menos R$ 3,5 milhões por meio de supostos patrocínios a três eventos
esportivos: o Iron Biker, o Supercross e o Enduro da Independência. Todos os
réus negam envolvimento nos crimes.
Além de Azeredo, o
ex-senador Clésio
Andrade foi também condenado há 5 anos de prisão por
envolvimento no esquema. O político recorreu da decisão. Sua defesa sempre
alegou que Clésio é inocente.
“Confiamos na
independência e na qualidade do Poder Judiciário mineiro. A douta juíza já
demonstrou isso quando o absolveu do crime mais grave, após aprofundado exame
da prova. A condenação pelo delito menos grave deveu-se a equívoco de
interpretação, que temos certeza que será corrigido no Tribunal”, afirmou o
defensor de Andrade por meio de nota no dia que apresentou o recurso.
O jornalista Eduardo
Guedes, que atuou como secretário adjunto de Comunicação Social na gestão de
Azeredo, foi recentemente condenado por
envolvimento no esquema. No início deste mês, a juíza Lucimeire Rocha,
titular da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, determinou que ele cumpra 17
anos e cinco meses de prisão.
O MPMG informou que a
promotora Patrícia Varotto, da 17ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte,
pediu o aumento da pena. O advogado Sânzio Baioneta, que defende Guedes, disse
que recorreu da decisão. “Entrei com embargos declaratórios em decorrência das
omissões da sentença, que não apreciou as teses de defesa”, afirmou.
Os ex-diretores
da Comig Renato Caporali e Lauro Wilson foram julgados em um
mesmo processo.
Em outubro do ano passado,
Caporali foi condenado a 4 meses e 15 dias de detenção em regime aberto por
desvio de dinheiro público. Na ocasião, o advogado Hermes Guerrero, que
representa Caporali, negou que o seu cliente tenha desviado recursos públicos.
Guerrero recorreu da sentença.
Em relação a Lauro Wilson,
a Justiça considerou extinta a punibilidade. O prazo prescreveu porque o réu
completou 70 anos em 2017.
As penas em relação
a Cláudio
Mourão e Walfrido dos
Mares Guia também prescreveram ao completarem 70 anos. O
réu Fernando
Moreira Soares morreu em 2015. Outros quatro réus ainda respondem ao
processo na Justiça de Minas Gerais.
Fonte: G1

Comentários