STF determina votação aberta no Senado sobre afastamento de Aécio

Senadores avaliam hoje medidas cautelares impostas a senador tucano 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a votação sobre o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) do cargo, marcada para esta terça-feira (17) no Senado, seja feita de forma aberta e nominal.
Moraes concedeu mandado de segurança atendendo a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que recorreu ao Supremo nesta segunda-feira (16) alegando que a votação fechada, como pretendia o presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB-CE), é "inconstitucional".
Em sua decisão, o ministro escreve que a votação aberta "é a única forma condizente com os princípios da soberania popular" consagrados na Constituição.
"O eleitor tem o direito de pleno e absoluto conhecimento dos posicionamentos de seus representantes", afirma Moraes, destacando que esse processo leva ao aprofundamento da democracia (leia a decisão).
"Diferentemente do eleitor, que necessita do sigilo de seu voto como garantia de liberdade na escolha de seus representantes, (...) os deputados e senadores são mandatários do povo e devem observar total transparência em sua atuação, para que a publicidade de seus votos possa ser analisada, refletida e ponderada pela sociedade", escreve o ministro.
O senador Aécio Neves foi denunciado em junho pela PGR (Produradoria-Geral da República) ao Supremo por corrupção passiva e obstrução da Justiça. Ele é acusado de solicitar R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, um dos delatores da JBS. O STF ainda não julgou o caso.
Em 18 de maio, o ministro Edson Fachin afastou o senador do cargo, mas a decisão foi revertida um mês depois por decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que entendeu que não sabe ao Supremo tirar o político do cargo. 

Aécio voltou a ser afastado do cargo no fim de setembro por decisão da 1ª Turma do Supremo, que também obrigou o senador a não sair de casa no período noturno.

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