Rejeição de segunda denúncia repercute na mídia internacional

 Diários de vários países repercutiram vitória e impopularidade
Ao fim da votação da admissibilidade da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, rejeitada pelo Congresso Nacional nesta quarta-feira, diários internacionais noticiaram a vitória do governo na esteira da impopularidade "abismal" do líder e das "negociações frenéticas" com deputados. "Temer se safa", titulou a rede britânica "BBC" em análise sobre a decisão de parlamentares em não enviar a queixa da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela segunda vez. O peemedebista teve 11 apoios a menos que na primeira denúncia rejeitada em 2 de agosto.
A "BBC" destacou que Temer assegurou votos suficientes — 251 em seu favor e 233 contra, além de duas abstenções e 25 ausências — para evitar o julgamento por corrupção em acusações que ele nega. A rede ainda explicou que o presidente brasileiro teve uma obstrução urológica diagnosticada pouco antes da votação e que a oposição teve resultado "bem abaixo" do necessário. Na análise que acompanha o texto, a correspondente no Brasil frisou que "as emoções estavam em alta" em um final já esperado: o peemedebista "enfrenta a pior taxa de aprovação da história, mas legisladores parecem protegê-lo".
"Nas semanas recentes, Sr. Temer esteve ocupado fazendo concessões a poderosos parlamentares para assegurar apoio, e conseguiu. Pela segunda veze em meses, ele se safou — mas desta vez foi claramente mais difícil", avaliou a jornalista, que ainda citou as suspeitas de que o presidente sofra a síndrome do pato manco e não seja capaz de aprovar as reformas econômicas com a proximidade das eleições 2018.
Também britânico, o "The Guardian" usou o texto da agência "Associated Press" e publicou que "o presidente impopular do Brasil evitou julgamento por corrupção" ao arregimentar apoio na Câmara, "apesar de taxas de aprovação abismais". Mais de 90% dos brasileiros reprovam seu governo, segundo as pesquisas mais recentes. O diário citou os votos de Celso Russomanno (PRB-SP), contra o começo da investigação, e de Luiza Erundina (PSOL-SP), favorável à denúncia.
TEMER SAI ILESO, DIZ 'EL PAÍS'
Embora considere uma "clara vitória" do governo, a agência questiona se o presidente terá apoio para aprovar reformas após se enfraquecer "com repetidos escândalos". A AP ainda destacou a estratégia de deputados em não registrar quórum e empurrar a votação para a noite, "quando presumidamente os brasileiros estivessem à frente da TV". Também registrou a questão médica do presidente, mas minimizou a condição ao ressaltar que Temer "emergiu sorrindo e com os dedões em sinal de positivo".
O espanhol "El País" foi dos poucos que não mencionou Temer no título do texto sobre a votação. Na avaliação do jornal, "o governo do Brasil freiou as investigações por corrupção" e evitou que o presidente sentasse no banco dos réus. A publicação destacou que o brasileiro "saiu ileso de três denúncias de graves delitos". "Na primeira, o Tribunal Superior Eleitoral o salvou, presidido
Diários de vários países repercutiram vitória e impopularidade

por um magistrado que atua discretamente como conselheiro ocasional de Temer", escreveu o diário, em referência ao ministro Gilmar Mendes, que também faz parte do STF.
O jornal ainda destacou que "as acusações contra Temer dão um livro", mas "o tempo permitiu verificar que os que estão no poder se defendem muito melhor que os que foram à oposição", em alusão ao impeachment da petista Dilma Rousseff e citação à condenação do ex-presidente Lula pelo "discreto e implacável" juiz Sergio Moro e à vitória do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que manteve o cargo após ser gravado por Joesley Batista.
"Presidente brasileiro escapa à acusação novamente", titulou o francês "Le Monde" ao citar a suspeita de recebimento de dinheiro do presidente pelo gigante mundial de carne Joesley Batista. A vitória representou uma redução em relação à primeira denúncia, destacou o jornal, que ressaltou o efeito de permitir a Temer "escapar de acusações ao tempo de sua Presidência" e de dificultar a aprovação da reforma da Previdência.

O "Washington Post" analisou que a Câmara bloqueou o julgamento por corrupção após concessões do "líder preparado para combate a legisladores pró-mercado", incluindo a queda de multas por danos ambientais. O diário americano citou oposicionistas que alegavam "acordos maquiavélicos" do governo para manter Temer no poder. Já os governistas acusaram a oposição de retardar a votação. "O drama escalou com o anúncio de que Temer havia sido levado para o hospital". O jornal lembrou a baixa taxa de aprovação do peemedebista e apontou o argumento de aliados sobre deixá-lo na Presidência em nome da estabilidade, vendida como única maneira de evitar que o Brasil mergulhe em mais confusão ainda".

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