O imbróglio da decisão que impede os hospitais de Santarém de receber pacientes de outros municípios
O pano de fundo por traz
de toda essa polêmica criada pela decisão que impede a entrada de pacientes de
outros municípios em hospitais públicos de Santarém, está a atuação nefasta de
políticos que se aproveitavam da fragilidade dos pacientes e seus familiares
para em troca de votos, intermediar a transferência desses pacientes para o
Hospital Regional do Baixo Amazonas.
A regulação de pacientes
por Santarém começou no governo da Ana Julia e a partir disso, a atuação de
agentes contratados por políticos para agir dentro do Hospital Municipal de
Santarém ficou tão escancarada que o Ministério Público Estadual resolveu agir
e proibiu que a regulação de pacientes continuasse a ser feita pelas
autoridades de saúde de Santarém.
Com essa medida do MPE, a
Secretaria de Saúde do Estado assumiu novamente a responsabilidade pela
regulação e agora, cada um dos municípios do Tapajós e do Baixo Amazonas passa
a encaminhar os seus pacientes direto para Hospital Regional. Assim, o
Ministério Público Estadual acaba com a ingerência política dentro do sistema
público de saúde, mas, cria uma enorme incerteza em quem precisa de tratamento
médico de alta complexidade, pois a lógica diz que quanto mais rápido for o
deslocamento do paciente para o local de atendimento, maior também será a
possibilidade do tratamento ser bem-sucedido.
Outro dado importante
revelado com essa mexida no sistema público de saúde é que entre todos os vinte
municípios que encaminham pacientes vítimas de traumatismo para Santarém, 60%
desses pacientes são oriundos de Itaituba. Isso significa dizer que o nosso
trânsito faz mais vítimas do que qualquer outro tipo de doença e, mesmo assim,
ninguém toma nenhuma providencia para reduzir o número de acidentes no transito
de Itaituba.
Os nossos representantes
políticos, tanto em nível estadual, quanto federal, em vez de lutarem por
recursos para resolver os gargalos do trânsito de Itaituba, preferem tirar
vantagens eleitorais, burlando o sistema de regulação dos pacientes.
Outra dúvida causada por
essa decisão do MPE é sobre a pactuação dos municípios do Tapajós e Baixo
Amazonas com Santarém para o atendimento dos pacientes de alta complexidade,
pois os repasses de recursos federais para esse tipo de atendimento vão direto
para os cofres de Santarém e o prefeito de Itaituba, agora, deve exigir o
ressarcimento desse dinheiro. E diante de toda essa polêmica, fica
ainda mais urgente a necessidade da conclusão da obra do Hospital Regional do
Tapajós.
Weliton Lima, comentário do Focalizando,
quinta-feira, 12/10/2017

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