Órgão pretende atuar também
junto aos clubes e às torcidas organizadas
Aranha, da Ponte Preta,
foi vítima de racismo no futebolEstadão Conteúdo
O Governo Federal, por meio
da Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial, estuda uma parceria
com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para capacitar os árbitros na
identificação de casos de injúria racial e racismo nos estádios. A ideia é que
o tema faça parte do programa de formação dos apitadores a partir do ano que
vem. "O árbitro é o principal responsável por identificar os casos em
campo e registrá-los na súmula", disse o secretário Juvenal Araújo.
O órgão pretende atuar
também junto aos clubes e às torcidas organizadas, fazendo um trabalho de
conscientização popular. O secretário reconhece que ainda precisam ser criados
mecanismos para a ação, e que o formato ainda não está definido. "Temos de
pensar na criação de mecanismos de conscientização", comentou.
A introdução do tema na
formação dos árbitros representa uma inovação. A CBF não atendeu aos pedidos da
reportagem para comentar a proposta da secretaria ou para apresentar as ações
de combate ao racismo. No último domingo (22), um novo caso foi registrado no
clássico entre Bahia e Vitória, em Salvador. "É obrigação do árbitro
principal relatar os casos de injúria racial na súmula do jogo", afirmou
Ronaldo Piacente, presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).
Em São Paulo, por exemplo,
os árbitros levam um ano e meio para se formar. Eles aprendem sobre as 17
regras do futebol, fazem cursos práticos e um estágio supervisionado no qual
trabalham nas categorias de base do seu Estado. Anualmente são submetidos a
avaliações teóricas e orais, além de testes físicos, médicos e psicológicos. As
dimensões psicológica e emocional recebem atenção especial. O objetivo é
integrar os pilares físico, técnico, mental e social, além de um bom preparo físico.
A Uefa (União Europeia de
Associações de Futebol, na sigla em inglês) promove anualmente cursos para
árbitros e auxiliares, sejam eles experientes ou iniciantes, que trabalharão
nas competições europeias de clubes e seleções. Durante o curso de uma semana,
repassam, na teoria e na prática, todas as regras do futebol e suas
interpretações, analisam vídeos com situações ocorridas em jogos, trocam
experiências e opiniões e são submetidos a testes médicos e físicos. Lá, o tema
"racismo" faz parte do programa, juntamente com xenofobia e
homofobia.
No caso Aranha, episódio
em que o goleiro do Santos foi xingado de "macaco" na Arena Grêmio,
em Porto Alegre, em 2014, o árbitro goiano Wilton Pereira Sampaio acabou punido
também. Ele não interrompeu o jogo após as reclamações do arqueiro. Somente
horas após a partida, Sampaio alterou a súmula, incluindo as reclamações.
Depois de ter sido criticado por seu comportamento, foi suspenso por 45 dias e
multado em R$ 800. Seus auxiliares foram suspensos por 30 dias e multados em R$
500.

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