No blog
de Augusto Nunes, sob o título “Se demorou nove anos para inventar uma
versão sobre o bombom de cupuaçu, Lula vai querer falar do caso Rose só em 2022.”
As plateias amestradas de Lula aplaudem as bazófias de um presunçoso
patológico com a mesma aplicação exibida quando endossam com lágrimas de
esguicho as pieguices recitadas pelo coitadinho de araque. O bom
entendimento entre o canastrão e a claque foi reiterado no Festival da
Mulher Afro, Latino-Americana e Caribenha, realizado em Brasília na
semana passada.
Deslumbrado com a narrativa das façanhas do maior dos governantes desde
Tomé de Souza, o auditório teve de arquivar temporariamente o entusiasmo
para comover-se com a entrada em cena do nordestino perseguido por
preconceituosos cruéis. Desta vez, Lula resolveu emocionar o público com
a ressurreição de um episódio ocorrido há nove anos em Tucuruí.
Pouca gente se lembrava da história. O homem que nunca lembra o que
importa, soube-se agora, guardou-a na gaveta da memória reservada a
casos exemplares de preconceito. Ao resgatá-la, como de praxe, Lula
deturpou o que efetivamente aconteceu com a versão malandra abaixo
transcrita:
“A
maldade comigo era tanta que eu ganhei uma bala, mas eu estava sentado
na cadeira e não tinha onde guardar. Desembrulhei a bichinha e coloquei o
papel com muito cuidado no pé da cadeira (…). Tamanha foi minha
surpresa que a capa do jornal era só o papel de bala”.
Conversa fiada, informam as fotos e berra o noticiário dos jornais sobre
aquela tarde de 2004 em que o palanque ambulante estacionou no interior
do Pará para inaugurar três turbinas da hidrelétrica de Tucuruí. No
centro da mesa das autoridades, o que Lula desembrulhou e engoliu
gulosamente, como atesta a imagem à esquerda, não foi uma bala. Foi um
bombom de cupuaçu que acabara de ganhar de presente.
Teria pedido mais um se não descobrisse que estava com um problema na
mão esquerda: a bolinha de papel a que fora reduzida a embalagem.
Poderia tê-la guardado num bolso, para depois jogá-la no lixo. Poderia
repassá-la ao ajudante-de-ordens. Em vez disso, sem notar que nada
encobria o que o se passava debaixo da mesa, fez a opção pela esperteza.
Péssima ideia, constatou ao topar com a sequência de fotos, publicadas pela Folha
no dia seguinte, que registrou todas as etapas da operação. Primeiro,
caprichando na cara de paisagem, Lula passou a bolinha de papel da mão
direita para a esquerda. Em seguida, estendeu o braço sobre o encosto da
cadeira ocupada pelo governador tucano Simão Jatene.
“Coloquei o papel com muito cuidado no pé da cadeira”, fantasiou na
discurseira em Brasília. O registro fotográfico grita que não. O que ele
fez, fingindo-se absorvido por reflexões sobre os superiores interesses
da pátria, foi deixar o papel cair no chão ─ e atrás do governador.
Milhões de brasileiros jogam lixo na rua. Mas não se sabe de outro
presidente da República que, sem testemunhas por perto, é capaz de jogar
uma casca de banana na frente de um asilo.
Lula passou nove anos sem comentar o episódio. Resolveu exumá-lo agora
apenas para tentar enterrar publicamente a verdade. Faz quase 300 dias
que não abre a boca sobre o escândalo que estrelou ao lado de Rosemary
Noronha. Se mantiver o padrão, só tratará do caso em 2022. Como é certo
que vai contar mentiras, deveria ao menos aprender a assassinar fatos e
fotos com mais criatividade.
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