Os três biólogos mantidos reféns são Djalma Nóbrega, Luiz Peixoto e José
Guimarães, da empresa Concremat, que é contratada pela Eletrobras.
Os biólogos realizavam estudos de fauna e flora para o licenciamento ambiental para o projeto da
usina hidrelétrica de Jatobá. O projeto ainda está na fase inicial de
estudos. Nenhum local visitado pelos pesquisadores é terra indígena,
segundo a Eletrobras.
O governo afirmou que o mundurukus levaram os biólogos inicialmente para
a aldeia, que fica a menos de uma hora de barco da cidade. Neste
sábado, porém, os biólogos foram levados para o centro da Jacareacanga,
onde são mantidos reféns.
A Secretaria-Geral e o Ministério Público estão tentando negociar com os
índios, mas ainda não estão claras as reivindicações dos mundurukus,
que há duas semanas estiveram em Brasília e tentaram invadir o Palácio
do Planalto.
Até agora, segundo o governo, o único pedido feitos pelos índios é que
os biólogos deixem seus equipamentos e pesquisas no local para serem
liberados. O governo também disse que não há informações de que os
técnicos da Eletrobras tenham sofrido agressões.
Em nota, porém, a Eletrobras informou que os equipamentos e os estudos foram roubados.
"Além da truculência do sequestro, foram roubados câmeras fotográficas e
computadores com os registros da expedição e também o material coletado
pela equipe, comprometendo a qualidade dos estudos realizados e
impedindo sua continuação", disse a empresa.
A situação indígena no país tem preocupado o governo, e a presidente
Dilma Rousseff já deu declarações públicas pedindo que sejam evitados
conflitos.
Há algumas semanas, um índio de 35 anos foi morto a tiros durante a
operação de reintegração de posse de uma fazenda em Sidrolândia, no Mato
Grosso do Sul, que havia sido ocupada por índios da etnia terena.
Revoltados, os indígenas voltaram a ocupar o local no dia seguinte,
armados com paus, arcos e flechas.
A situação levou o governo federal a atender a um pedido do governador
André Puccineli (PMDB) e enviar 110 homens da Força Nacional ao Estado
para ajudar na resolução do conflito.
agencia (Reuters)
foto: Nonato Silva
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