Padre Sidney Augusto Canto (*) Santarém - Algumas obras primam pelo relato que apresentam, mesmo que simples, porém marcantes por registrarem um olhar sobre algum assunto. Antes da Cabanagem, no ano de 1833, veio à luz dos leitores paraenses a “Corografia Paraense, ou descrição física, histórica e política da Província do Grão Pará”, escrita por Ignácio Accioli de Cerqueira e Silva, membro das Sociedades de Agricultura, Comércio e Indústria e da Filomática de Química; e que durante treze anos residiu no Pará.
Nela, o autor faz a descrição das três Comarcas existentes até então na Amazônia: A da Capital (Belém) a do Rio Negro e a da Ilha de Ioannes (Marajó). A Comarca de Santarém que já existia naquele ano, foi descrita como sendo parte da Comarca da Capital. Além de falar das riquezas naturais e da história, Ignácio Accioli revela dados da geografia da região. Falando do Rio Tapajós o mesmo assim se refere:
“O Tapajós desemboca trinta e uma léguas abaixo da foz do rio das Trombetas na latit. austral de 2°24’50” tem nascimento perto das vertentes do Paraguay, corre do sul para o norte paralelo com o Madeira: seus principais afluentes são o Arinos, o mais oriental, assim chamado de uma nação de Índios que hoje não existe. João de Souza de Azevedo tendo saído de Mato Grosso no ano de 1747 com Pascoal de Arruda à exploração do ouro, achou-o num braço de Arinos e nas suas cachoeiras, do que participou ao Intendente do Mato Grosso, que deu a essas minas o nome de Santa Isabel, remetendo amostras do seu ouro para Lisboa ao Governo, continuou o mesmo descobridor na exploração, achou outra mina no riacho Três-barras, afluente do Tapajós, e descendo por este em 1747 até a sua foz, com trinta e cinco dias de viagem passou ao Pará, participou a descoberta de sua navegação ao Governador do Estado Francisco Pedro de Mendonça Gurjão, que também a comunicou à Corte; repetiu por vezes a mesma derrota e ofereceu ao Ministério, aos 16 de janeiro de 1752 uma memória sobre os limites do Brasil com os Espanhóis por intermédio do Governador do Pará Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que o consultou na conferência a tal respeito feita no Colégio de Santo Alexandre. Na sua primeira viagem ele subiu o Sipotuba, tendo descido pelo Cuiabá até as suas vertentes, conduziu por terra as canoas para o Sumidouro pelo qual desceu ao Arinos e depois ao Tapajós: pela sua derrota consta que o mesmo Arinos dista quinze dias de jornada da Capital de Mato Grosso”.
Apesar do caráter simples da descrição, feita de maneira resumida pelo autor da obra, este é mais um registro, feito na primeira metade do século XIX que ajuda a estudar a importância que o Rio Tapajós tinha na época. E nos ajuda a lutar com mais vigor pela sua preservação nos dias de hoje.

Comentários