Militares estariam exigindo suborno de empresários que venceram licitações para fornecer equipamento à força terrestre
NO GOVERNO - A presidente Dilma Rousseff determinou ao
general Enzo Peri, comandante do Exército, que apurasse com rigor e
celeridade as denúncias de corrupção na Força
(Cristiano Mariz)
Em junho do ano passado, a presidente Dilma Rousseff lançou um programa
bilionário com o objetivo de modernizar o aparelho estatal e, de
quebra, estimular a economia, que já caminhava a passos lentos àquela
altura. Batizado de PAC Equipamentos, esse pacote previa a liberação de
8,4 bilhões de reais para a compra de materiais e maquinário pelos
ministérios - incluindo a pasta da Defesa e as forças militares a ela
vinculadas, sempre queixosas de um quadro de sucateamento a que estariam
submetidas. Ao contrário do que ocorre em outras modalidades do PAC, o
novo projeto saiu do papel. Só o Exército gastou 1,8 bilhão de reais em
caminhões, veículos blindados e até lançadores de mísseis. Mas, como é,
infelizmente, praxe nas empreitadas civis, a corrupção parece ter
encontrado uma brecha na esfera militar. Oficiais do Exército estão
sendo investigados por terem sido acusados de achacar empresários que
venceram licitações para fornecer equipamento à força terrestre. Eles
teriam exigido propina em troca da assinatura dos contratos.
Reproduziram, assim, um modelo de desvio de verba pública que foi
consagrado recentemente nos ministérios dos Transportes e do Trabalho.
Resta saber se, como os ministros demitidos daquelas duas pastas, os
oficiais corruptos serão responsabilizados. A presidente Dilma Rousseff
já determinou a abertura de uma sindicância para apurar o caso, que está
sendo investigado sigilosamente pelo alto-comando do Exército.
Fonte: REVISTA VEJA.
Comentários