Confronto
ocorreu durante Operação Eldorado no norte de Mato Grosso. Ação da PF
era para destruir dragas usadas na extração ilegal de ouro.
Índios da etnia Mundurukú e agentes da Polícia Federal entraram em
confronto nesta quarta-feira (7) na aldeia Teles Pires, localizada na
região da cidade de Alta Floresta, a 800 quilômetros de Cuiabá. De
acordo com informações da PF, o confronto ocorreu no momento em que os
agentes entraram na aldeia para destruir dragas que eram utilizadas para
extrair ouro de forma ilegal. A ação faz parte da operação Eldorado,
deflagrada nesta terça-feira (6) em Mato Grosso e mais seis estados que
culminou na prisão preventiva de 28 suspeitos.
No confronto, dois indígenas foram atingidos por balas de fuzil e outros
quatro policiais federais acabaram sendo atacados a flechadas e
disparos de arma de fogo. O G1 apurou que os índios foram levados, em
estado grave, de helicóptero para atendimento no Hospital Regional de
Alta Floresta. Já os agentes da PF receberam os primeiros-socorros ainda
no local. Ainda não há informações sobre o estado de saúde dos agentes.
De acordo com a assessoria de imprensa do Instituto Pernambucano de
Assistência e Saúde (Ipas), que administra a unidade hospitalar, os
indígenas deram entrada no hospital por volta das 12h30 (horário de Mato
Grosso) em estado de choque. Um deles precisou receber transfusão de
sangue porque sofreu hemorragia após ser atingido pelo disparo.
Ainda de acordo com a assessoria, um deles, em estado mais grave, deve
ser transferido ainda nesta quarta-feira de avião para o Hospital
Regional de Sorriso. Ele corre risco de ter o braço amputado. Já o outro
indígena ferido passou por cirurgia. O estado de saúde dele também é
grave. O G1 apurou que a PF vai deslocar para a região do confronto mais
agentes e suprimentos.
O coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Alta Floresta,
Clóvis Nunes, informou ao G1 que o clima segue tenso na região. Os
índios feridos são líderes da aldeia. Segundo ele, o conflito pode ter
sido motivado porque os indígenas não querem o fim do garimpo em suas
terras. “Lá existe atividade garimpeira feita no leito do rio. Muitas
dragas e balsas atuam na região e os índios recebem uma porcentagem dos
lucros obtidos pelos garimpeiros”, afirmou Nunes.
Já em relação à presença de armas de fogo na aldeia, Clóvis Nunes disse
que tem conhecimento apenas que os indígenas utilizam armas para a caça
de animais silvestres. Em nota, a comunidade Indígena Kayabi, onde os
Mundurukús estão inseridos, pediu à Funai em Brasília a mediação do
conflito. “A referida operação tem acontecido de forma truculenta e
causado conflitos com feridos entre indígenas do Povo Mundurukú e
agressões a indígenas. Pedimos providências urgentes com a presença de
autoridades competentes para mediar e dar uma solução ao conflito”,
conforme trecho da nota.Fonte: Dhiego MaiaDo G1 MT

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