Jornal britânico compara comportamento do petista com o de FHC. “A convalescência de Lula ajudou Dilma a carimbar sua autoridade no governo”
Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva: dois diferentes caminhos
(Juan Barreto/AFP e Ivan Pacheco)
Luiz Inácio Lula da Silva age como se fosse presidente do Brasil, concluiu o influente jornal britânico Financial Times,
em artigo publicado nesta segunda-feira em seu site. O texto compara o
comportamento de Lula depois de deixar o poder com o do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso. “Nesse mês, os dois mais bem-sucedidos
ex-presidente do Brasil demonstraram os diferentes caminhos para ser um
ex”, diz o artigo.
O jornal afirma que, na mesma semana em que FHC recebeu da Biblioteca
do Congresso americano o prêmio Kluge, Nobel das ciências sociais, Lula
destacou-se por fazer uma análise “questionável e incompleta” das
eleições na Venezuela. Em discurso exibido em vídeo durante o Foro de
São Paulo, em Caracas, o petista declarou apoio ao imperialista
bolivariano Hugo Chávez, candidato à reeleição. “Sua vitória será a
nossa vitória”, afirmou Lula na ocasião.
“Um ex-presidente verdadeiramente democrata usaria seu poder e
influência para intervir nas eleições de outro país?”, questiona o Financial Times.
“A convalescência de Lula ajudou Dilma Rousseff a carimbar sua
autoridade no governo. Mas agora Lula está recuperado e brigando de
novo, alimentando a especulação de que possa ser presidente de novo. Há
ocasiões em que ele age com se já o fosse.”
O artigo cita ainda exemplos de outros políticos da América Latina que
enfrentam dificuldades para ser um ex, como Álvaro Uribe, da Colômbia, e
Michele Bachelet, do Chile. Afirma o jornal: “Todos esses poderosos ex
fazem mais difícil a vida dos atuais presidentes.”
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