| Sofrimento parece sem fim. 13/05/2011 |
Doentes do interior que dependem do TFD sofrem com atraso. Mês de janeiro começou a ser pago dia 2 de maio.
A vida de quem precisa buscar Tratamento Fora de Domicílio (TFD) não é fácil, especialmente no caso de crianças com transtornos mentais e dificuldades de locomoção, sofrimento estendido também a quem as acompanha. Dependendo da indicação, é necessário sair de casa bem cedo, ir em busca de transporte e percorrer um longo caminho até o local de tratamento. Essa é a rotina vivida por sete mães três vezes por semana. Além do sacrifício, elas ainda precisam enfrentar um outro problema: o atraso no pagamento do tratamento.
Cansadas de não ter informação sobre o pagamento do mês de fevereiro, um grupo formado por mães vindas de Vigia, Santo Antônio do Tauá e São Caetano de Odivelas procurou a Redação para denunciar. 'Estamos há três meses sem receber. Meu marido é pescador e está dando um duro danado para me dar pelo menos o dinheiro da passagem para eu vir a Belém com o meu filho Heitor, de 12 anos, que sofre de transtornos mentais. Não quero desistir, mas está muito difícil', conta a dona de casa Ana Paula Loureiro.
Pelo menos três vezes por semana ela deixa o marido e os outros três filhos em Ponta do Bom Jesus, a 20 km de São Caetano de Odivelas, município distante cerca de 100 km da capital, em busca do tratamento para o filho. 'Nos últimos meses, quando venho a Belém com ele, sempre explico que vamos levar água e suco para tomar, porque vamos apenas com o dinheiro da passagem. É muito ruim, porque na maioria das vezes só voltamos para casa no final do dia', conta.
Na semana passada, Ana Paula foi até a sede do 2º Centro Regional de Saúde, em Santa Izabel, onde é assinado o pagamento do TFD para o banco. Lá foi questionada sobre o fato de ter procurado o Ministério Público denunciar o problema. 'Formamos um grupo e fomos até lá. Depois disso, conseguimos receber apenas janeiro, pago agora em maio, os outros continuam sem previsão. Quando cheguei na regional em Santa Izabel, a assistente social me perguntou se havia faltado paciência de minha parte. Fiquei muito nervosa, com medo de suspenderem o benefício do Heitor por conta disso, mas respondi que não faltou paciência, mas sim dinheiro', disse.
A situação da dona de casa Silviane Tavares e do filho Marcos Victor, 6 anos, é mais complicada. Ela não recebe um centavo do TFD do menino, que tem paralisia cerebral, desde o ano passado. Moradora de Vigia, a cerca de 70 km da capital, ela vem a Belém três vezes por semana. Como ele não anda, precisa carregá-lo no colo, o que torna o deslocamento ainda mais penoso. 'É muito complicado, porque estou vindo com o dinheiro da passagem contado e muitas de nós não têm marido para dar jeito. Temos que correr atrás nós mesmas para que nossos filhos não fiquem sem tratamento. Fico emprestando de um e de outro, só para não desistir, porque é muito difícil. Sempre houve atrasos, mas nunca de três, quatro meses', afirma.
Elza Maria dos Santos, também de Vigia, precisa trazer o filho Elson Júnior, 14, vítima de paralisia infantil, três vezes por semana. 'O que recebemos já é tão pouco. Venho para a cidade e passo horas na parada de ônibus porque nenhum motorista quer parar, por causa da cadeira de rodas. Mas não tem jeito, temos quer vir. Dependemos desse dinheiro porque não tenho como trabalhar. Sou os braços e as pernas do meu filho', diz, emocionada.
Além delas, Elane Silva e o filho Wesley Brito (Vigia); Maria Ednalva dos Santos e o filho Emerson (Santo Antônio do Tauá); Ruth Cavalcante e a mãe, Creuza Cavalcante (Santo Antônio do Tauá); e Elisabete Pereira e a filha Aline Silva (Vigia) também estiveram na Redação para reclamar do atraso no pagamento do TFD.
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